terça-feira, 23 de setembro de 2025

Espera... tu disseste-me que a tua vida, por causa desta doença, agora é apenas  uma espera... a espera de quando vais deixar de conseguir fazer algo simples e banal, a espera de sentires fraqueza numa perna ou no outro braço, a espera de teres dificuldade de comer ou respirar... tudo é uma espera e não há nenhuma esperança que possa ser uma espera por algo melhor. 

Os livros de auto-ajuda dizem que em momentos maus devemos lembrar-nos que "dias melhores virão". Gostava de saber o que devemos pensar e onde nos podemos agarrar quando infelizmente daqui para a frente é sempre a piorar - se agora já é péssimo, vai ser sempre a piorar, até ao final. Essa é a unica certeza em tudo o que estamos a passar. 

Às vezes sinto uma pressão enorme de tentar aproveitar para ser um bocadinho feliz agora porque não vejo como poderei sê-lo no futuro. E se já estou tão cansada de estar triste e infeliz desde fevereiro... como estarei daqui a 1 ou 2 anos? Pela minha sanidade mental tenho de aproveitar de algum modo... mas depois penso se faz sentido estar feliz sabendo de tudo isto, como estar feliz??? Faz sentido rir-me com alguma coisa? Onde vou buscar força para isso? 

... no fundo tu és a minha força... e tu consegues, nem sei como, ter momentos de felicidade e dizer-me que a nossa vida é feliz. Talvez porque tentas a todo o custo acreditar que ainda há esperança disto não ser real, dos médicos se enganarem, de um milagre acontecer. E eu, apesar de muitas vezes viver em pânico do dia em que finalmente verás que isto é mesmo real e que não vale a pena ter esperança, tento deixar-me levar contigo para pelo menos sorrir e sentir-me feliz no agora... porque no futuro acho que nunca mais voltarei a ser.



sexta-feira, 18 de julho de 2025

 "Falo de tudo, desde pequenas tarefas quotidianas, livros, filmes, séries, aquele objectivo de um dia ir ao ginasio semanalmente, viagens de sonho..."

Esta foi uma das frases que utilizei para descrever o que este espaço iria ser... e entretanto, depois de levar com um camião em cima, quando olho para trás tudo em mim parece vazio, fútil. Quando penso que durante 2 anos fiz terapia e que os meus maiores problemas (que me pareciam mesmo enormes) e me faziam chorar a potes, eram ter o peito grande, achar-me gorda e feia, as rotinas e as tarefas do dia a dia de mãe juntamente com um trabalho por vezes muito exigente... ter de conduzir o que era assim uma tortura... não poder ter todos os dias teletrabalho... ai... quem me dera que a minha vida pudesse voltar a ser só isso, a ter de gerir apenas  esses problemas que eu julgava serem enormes, que até me tornavam uma pessoa talvez triste, talvez até com uma pequena especie de depressãozinha...

Hoje em dia, com tudo o que estamos a passar e principalmente com tudo o que ainda vamos ter de passar, não consigo levar a sério as pessoas, como eu era até há poucos meses atrás, com especie de depressões... sei que não devia dizer isso. Sei que dizem que é um problema muito real e cada vez mais frequente... mas vejam por mim... só são preocupações até aparecer um problema de verdade, que realmente muda tudo, toda a vida para terrivelmente muito pior. E é aí que se percebe que não há peitos, barrigas, trabalhos, sei lá... nada é importante até ao diagnóstico de uma doença terminal... principalmente esta que muitos dizem ser "A doença". Uma doença cruel que nos vai tirando tudo lentamente, como uma autêntica tortura.

O meu marido adora estar em casa... também gosta de sair, pelo menos uma vez por dia mas em geral gosta muito de usufruir do nosso lar. E há uns 7 anos construimos a nossa casa. Um verdadeiro sonho que se tornou realidade. Fizemos tudo à nossa medida dentro das nossas possibilidades. Temos uma cave que ele montou para ser a sua zona de gaming e sala de cinema e musica, temos uma piscina no jardim, temos um sotão com um mini ginásio... tudo escolhido por nós, para o nosso conforto em casa. 

Uma doença que nos obrigue a estar em casa nunca é bom para ninguém mas, tal como foi no covid, pelo menos podemos estar num sitio que nos diz muito com coisas escolhidas por nós e para nós... 

Só que até isso esta doença tira... quando ele deixar de andar, de se mexer, esta casa que foi o nosso sonho, vai ser todos os dias uma prisão, quando ele olhar para as escadas e se lembrar que nunca mais poderá ver a cave, os seus instrumentos, ou ir ao sotão apanhar sol nas cadeiras que comprou, ou até ir à piscina para relaxar como ele tanto gosta... todos os dias vai sentir essa impotência de não poder ter o que sempre teve, o que está mesmo ali para ele mas que jamais poderá voltar a usufruir.

Ficará limitado ao rés do chão, numa cadeira de rodas ou numa cama, para sempre... até morrer. É impossivel não pensarmos: "o que fizemos para merecer isto?" é algo tão mau, tão cruel que só parece poder ser castigo por algo.

Ontem vi-os a brincar na piscina, ele e a Inês... a fazerem competição de mergulhos... e penso: "Terá sido a ultima vez que vi esta brincadeira entre pai e filha?" "Será que para o ano a Inês ainda poderá ter o pai para brincar assim com ela?" 

Tenho muita inveja da ignorância dela, de não saber o que se passa com o pai e poder simplesmente aproveitar todos os momentos... porque eu, mesmo sabendo que devia aproveitar, agora mais do que nunca, já não consigo fazê-lo totalmente porque as "sombras das ultimas vezes" estão sempre a atormentar-me a mente...

segunda-feira, 14 de julho de 2025

Já vamos a mais de metade deste ano de 2025... deste ano horrível... parece que ainda estou a rever a nossa passagem de ano, aquele beijo que demos imortalizado pela fotografia tirada pela Inês (uma das unicas ou talvez mesmo a unica foto que temos a dar um beijo...)... já olhei tanto para ela... para nos ver de novo como éramos quando ainda estavamos na ignorância do que seria o nosso ano, o nosso futuro, a nossa vida...

Devia ser sempre assim... nunca quis que me lessem as mãos e nunca quis ir a cartomantes. Nem é que acredite, sou demasiado racional, mas só o simples facto de alguém me poder dizer "vai sofrer muito, o seu futuro não vai ser bonito" ia deixar-me sempre com essa nuvem e sempre fugi dessas coisas... 

Aqui não deu para fugir... ninguém perguntou "quer mesmo saber o que vem aí?".. apenas disseram "aquelas palavras"... que nunca irei esquecer. O momento do diagnostico, da certeza do futuro, da certeza do nosso fim. A imagem está na minha cabeça e não vai sair nunca mais... da cara do médico a escrever e a olhar para o papel, sem nos olhar nos olhos, no teu suspiro enorme meio trémulo assim que ouviste o que temias ouvir depois de uma angustiante espera de 15 dias.. da minha mão que imediatamente saiu para confortar a tua perna... e do meu coração que nunca mais foi o mesmo desde o dia 7 de Fevereiro de 2025.

"Não tenho dúvidas que é de facto a doença do neurónio motor..."... e tudo caiu, desapareceu para sempre. Como diz a mnh psicologa, levamos com um comboio em cima. Nada ficou de pé, tudo mudou, tudo (como o conhecíamos) mudou. E eu ainda perguntei para que não restassem dúvidas na minha cabeça "mas é a ELA?".. "Sim, é a ELA"... 

Não sei qual foi o meu primeiro, segundo ou terceiro pensamento... sempre pensei demais e naquele momento então foi tudo um turbilhão... lembro-me de pensar que tinha rezado tanto para que não fosse... e portanto não acreditava mais nessas coisas, lembro-me de pensar que sempre agradeci a vida que tinha e que finalmente essa vida tinha acabado... lembro-me de pensar que há pouco mais de um ano, talvez por ironia do destino, tinha gravado vozes com a Inês para a APELA para ajudar os doentes com ELA a ter voz... lembro-me de pensar que poderia ser castigo por eu nunca ter ido a pé a Fátima apesar de tantos convites, lembro-me de pensar que sempre disse que queria muito ajudar alguém, que a minha vida só faria sentido assim... e agora finalmente vou perceber o significado dessas palavras e provavelmente arrepender-me de ter pensado sempre assim... lembro-me de pensar nos meus meninos... que tanto adoram o pai... no que vao sofrer e na minha impotência de os proteger como devia fazer como mãe, lembro-me de pensar nas minhas doenças auto-imunes - agora não posso mesmo ficar doente ou morrer, por eles... até essa pressão senti... - lembro-me de pensar nele... naquele que eu sempre soube que era a "minha tampa", quem sabe sempre como eu estou apenas por um gesto meu, que acho que me conhece melhor a mim do que eu própria me conheço... no que ele vai passar sem que eu possa fazer alguma coisa para resolver... e lembro-me depois de pensar em mim... nos meus sonhos de futuro contigo... sentados num café, depois dos miudos serem autónomos e terem a vida deles... dos nossos passeios futuros, das nossas futuras prendinhas mutuas... de tudo o que sonhámos e que afinal nunca irá acontecer... que ficará apenas como um sonho inacabado.

Tu não irás estar aqui e eu ficarei sozinha para sempre... 

Bem sei... o futuro pode dar muitas voltas mas não quero sequer colocar a hipotese que eu poderei "ir" ainda antes... isso seria ter de imaginar os meus filhos orfãos e isso é dor demais para aguentar ou imaginar. Já basta a dor de já sabermos o futuro de um de nós... um futuro que em todo lado dizem ser "o mais cruel de viver e assistir" - ver-te morrer aos bocadinhos e ver a nossa vida acabar um pouquinho todos os dias...

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

The Love Hypothesis de Ali Hazelwood


 

SINOPSE

Contemporary romance's unicorn: the elusive marriage of deeply brainy and delightfully escapist.' Christina Lauren, New York Times bestselling author of The UnhoneymoonersWhen a fake relationship between scientists meets the irresistible force of attraction, it throws one woman's carefully calculated theories on love into chaos. As a third-year Ph.D. candidate, Olive Smith doesn't believe in lasting romantic relationships but her best friend does, and that's what got her into this situation. Convincing Anh that Olive on her way to a happily ever after was always going to be tough, scientists require proof. So, like any self-respecting woman, Olive panics and kisses the first man she sees. That man is none other than Adam Carlsen, a young hotshot professor and well-known ass. Which is why Olive is positively floored when he agrees to keep her charade a secret and be her fake boyfriend. But when a big science conference goes haywire and Adam surprises her again with his unyielding support (and his unyielding abs), their little experiment feels dangerously close to combustion. Olive soon discovers that the only thing more complicated than a hypothesis on love is putting her own heart under the microscope.


OPINIÃO


ADOREI!! Depois de ler vários livros "nim", e apesar deste livro ser em Inglês, li-o com um tempo record de 2-3 dias - isto sendo mãe de 2 crianças e Workaholic (daí ter estado tantos dias sem conseguir escrever por aqui...)

O que gostei mais... gosto muito das histórias de "fake relationships" que depois se transformam (como é de esperar) em tudo menos fake. É básico sim, e cliché. E é verdade que num dos últimos livros que li disse que não tinha gostado muito porque era cliché... mas as opiniões são isso mesmo. Opiniões, carregadinhas de subjectividade!! 

Talvez porque gostei mais destes personagens... gostei dos desencontros, das situações em que se meteram para que todos acreditassem na relação...
Para além disso gosto muito de ler tendo as duas perspectivas e não apenas a perspectiva de um só personagem... gostei até dos amigos de ambos e gostei  também dele ser professor (secalhar é alguma coisa mal resolvida que eu tenho :P). Talvez se fosse professor dela ainda tivesse sido um bocadinho melhor!!

Sei que há muito muito tempo não ficava assim tão entusiasmada a ler. Li em todo o lado rigosamente em qualquer minutinho que me aparecia vago, tal a ansiedade de ler mais um pouco sobre estes dois e quando iam finalmente admitir os sentimentos um pelo outro.

Até pode ser um livro meio básico... mas este fez-me sorrir muito e terminar com uma óptima sensação. Apesar de ter ficado com pena de ter acabado!

Classificação
5👍

Uma Luz em Nova Iorque de Liv Morris


 

SINOPSE

Tessa Holly acaba de aterrar em Nova Iorque. No coração, traz o sonho de viver na cidade que nunca dorme. Na bagagem, carrega o CV, que tenciona distribuir até conseguir o emprego que mais deseja: trabalhar numa editora.

Não está nos seus planos apaixonar-se e ou ceder a tentações… menos próprias.

Mas uma troca de olhares com um sensual desconhecido fá-la vacilar. Felizmente, o momento é interrompido… pela bela acompanhante dele.

Tessa, porém, não o esquece. E não podia adivinhar que voltaria a encontrá-lo. E ele é:

Autoritário.

Encantador.

Lindo de morrer.

…e o seu novo patrão!

Pois Barclay Hammond é o CEO de uma prestigiada editora e o solteirão mais cobiçado de Nova Iorque. A atração entre ambos é eletrizante. Mas há um grande problema. As regras da editora proíbem relacionamentos íntimos. E Tessa não está disposta a abdicar do seu sonho.

Conseguirá ela conquistar um lugar entre as mil luzes de Nova Iorque?

Ou deitará tudo a perder num momento de derradeiro abandono?


OPINIÃO


Nos últimos tempos tenho tentado tirar ideias de livros a ler pelo Goodreads. Já não sei porque nem como encontrei este mas quando vi que estava disponível gratuitamente no Kobo Plus nada tinha a perder porque vi várias criticas fantásticas.

Mas esta não será uma delas. Sim, é uma história de amor. Sim, há uma menina sem muita experiência e um homem muito experiente, muito charmoso, que se apaixona perdidamente. Sim, parece uma história de conto de fadas. 
E é isso mesmo... um conto de fadas! 
A Tessa, que já não é nenhuma míuda e também é perfeita fisicamente... é virgem. E como se não bastasse tem uma familia muito protectora e completamente antiquada. É verdade que não vivem na grande cidade mas... este tipo de histórias já não me diz grande coisa porque não a consigo visualizar no mundo de hoje.

Para além disso a questão das regras dos relacionamentos intímos da empresa também não me parece ser muito credível. Ainda que estejamos numa altura de mais atenção e protecção às mulheres, ele era o próprio CEO e o negócio está na sua familia. Era óbvio que isso nunca seria uma questão como acabou por não ser efectivamente.

Por isso achei um livro bastante básico. Não deixa de ser uma história que pode fazer sonhar algumas raparigas, mas provavelmente estará mais direccionada para jovens e menos para mim que já não estou nessa fase :P

Classificação
3👍

Ligações Arriscadas de Sandra Brown


 

SINOPSE

Crawford Hunt acabou de preparar o quarto novo da filha. Em tons de rosa, a cor preferida de Georgia. No dia seguinte, se tudo correr bem em tribunal, a sua menina voltará para casa depois de quatro anos de ausência.

Após a morte da mulher, Crawford - ranger de profissão - mergulhou numa profunda depressão. Mas desde então fez tudo ao seu alcance para dar a volta por cima. O seu destino encontra-se agora nas mãos da juíza Holly Spencer.

Porém, tudo aquilo que ele conseguiu com tanto esforço vai ser posto à prova na sala de audiências, quando um homem armado dispara contra Holly. Instintivamente, o ranger protege-a. Não podia saber que estava a pôr em causa o seu futuro com Georgia… pois, por um lado, acaba de mergulhar num mistério do qual dificilmente sairá ileso. Por outro, vai comprometer a própria Holly. A juíza faz tudo para reprimir os seus sentimentos, mas revela-se incapaz de negar a surpreendente - e altamente inapropriada - atração que sente pelo ranger.

Sob o peso de tamanha responsabilidade, Crawford sente o seu mundo descarrilar de novo. Não pode perder a filha… mas para poder recuperar a sua vida de outrora, precisa desesperadamente de pôr fim a uma situação impossível.

Um vertiginoso thriller sobre a importância dos laços de família e os segredos que estamos dispostos a guardar para os proteger…


OPINIÃO


Hmm... este vai ser dificil de opinar... Um livro que tem tudo o que eu gosto, romance, suspense, acção... escrita fácil, corrida, sem grandes descrições... mas ainda assim, faltou qualquer coisa para mim.

É dificil opinar porque eu própria não consegui perceber bem o que faltou... não me consegui ligar com os personagens. Ou eu também poderia estar numa fase mais cansada ou distraída quando o li e não dei tanto de mim mas aconteceu-me várias vezes ter de voltar atrás para perceber quem era aquele personagem que tinha aparecido na história (e descobrir depois que afinal ele até já tinha aparecido antes e eu é que estava perdida.......)

Por isso o livro, principalmente a parte do suspense, não me valeu de nada porque mal consegui perceber a razão das coisas terem acontecido - por falta de atenção certamente.
Acabei por ler várias páginas na diagonal com alguma pressa de acabar.

O romance achei o início muito atabalhoado, "mal o vi chegar" e portanto também não consegui seguir a história de Crawford e Holly de um modo mais intenso. E pela história dele, da filha, de ter perdido a mulher e não ter tido mais relações... penso que podiam ter explorado mais essa situação e não achei que o tivessem feito.

No entanto acho tão estranho a sensação que me ficou quando o terminei que até estou disposta a tentar pegar nele numa outra altura, quando tiver esquecido completamente a história (não será dificil) para perceber se realmente foi apenas uma má escolha de timing de leitura.

Classificação
3👍

Cartas Picantes de Vi Keeland e Penelope Ward


SINOPSE

Segundo livro em coautoria de duas das autoras com maior sucesso em Portugal.

Bastou uma única carta para despertar todos os sentimentos reprimidos…

Durante anos, eu e o Griffin trocámos centenas de cartas sem nunca nos termos conhecido pessoalmente. Foi assim que nos tornámos grandes amigos, partilhando todos os nossos segredos e estabelecendo uma ligação que eu nunca pensei ser possível de quebrar. Até que um terrível acontecimento me levou a fechar-me no meu mundo e esquecer-me de tudo o que me fazia feliz. Sem lhe dar qualquer explicação, deixei de lhe escrever.

Oito anos depois, uma inesperada carta do Griffin fez-me reviver alguns momentos do passado e a nossa amizade foi recuperada. No entanto, agora que já não somos crianças, as nossas cartas tornaram-se bastante mais adultas. Em todos os sentidos!

Começa a ser difícil manter esta ligação apenas no papel, por isso acho que está na altura de enfrentar os meus medos e conhecer o Griffin em carne e osso. Só que isso tem implicações inimagináveis e que vão obrigar-me a enormes mudanças. Serei eu capaz?


OPINIÃO


Gosto muito de ler, de vez em quando, os livros da Vi Keeland, para aliviar um pouco e ler algo simples. Também já li 2 livros da Penelope Ward e tanto uma como outra são bastante semelhantes na forma de escrever e nas histórias que contam. No entanto, não gostei assim tanto deste livro. Não é mau mas achei-o muito cliché.

A história individual de cada um dos personagens até tem alguma profundidade e até se pode dizer que não é básica nem muito comum. É diferente sim. Mas o que achei cliché foi a maneira como se desenrolou entre os personagens.

Cada um tem uma maneira de ver o amor e as relações entre as pessoas. E na minha maneira de ver a vida, acho pouco credível que crianças que nunca se viram pessoalmente, se tenham marcado tanto ao ponto de quase não conseguirem manter relações com outras pessoas na altura certa, ou seja, durante a fase da adolescência e juventude. Isto sou eu claro, certamente poderá existir um ou outro caso mas ainda assim terá de ser muito raro.

Todos nós vamos evoluindo na vida, com as nossas experiências, com as relações que temos, com o nosso trabalho, hobbies, sei lá, com tudo o que nos rodeia. Eu sou tão (mas mesmo tão...) diferente do que era quando era mais nova... mesmo até diferente do que era há 10 anos quanto mais há 20 por exemplo.

Quando me recordo daquilo que me levou a apaixonar-me por um rapaz (e já tinha na altura quase 20 anos)... até fico chocada comigo porque - "como é que eu era tão básica?!" lol... hoje jamais teria paciência (nem tempo) para ir respondendo a mensagens daquele género e nunca aquela relação teria a menor possibilidade de evoluir. E no entanto, com aqueles 20 anos, eu fui contra tudo e todos convencida que era mesmo aquilo que queria. Evoluir faz parte e penso que é necessário em tudo na vida.

Por isso... quando li esta história tive de encará-la como algo que eu considero irrealista e isso cortou-me um pouco a capacidade de me entregar à história e de me "imaginar lá dentro" que é sempre algo que gosto de fazer quando leio um livro ou vejo um filme. 

Resumindo... foi assim um livro "nim" para mim!

Classificação
3👍